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Nos meus muitos anos trabalhando com alunos e coachees brasileiros que buscam aperfeiçoar seu inglês, o que mais me chama a atenção é como esperamos que a língua que estamos aprendendo seja como a língua que falamos.

Embora pareça desnecessário dizer que o inglês não é, nem de longe, como o português, minha experiência me mostra que é importante explicar esse ‘como’.

De todas as diferenças, a de pronúncia é a mais marcante, e a mais desafiante. Abaixo está um trecho de um livro meu que explica, exemplifica e exercita a principal diferença de pronúncia entre a duas línguas.

Boas revelações!

O inglês é uma língua acentual; o português é uma língua silábica

A consciência dessa diferença permite entender porque às vezes você não entende o que dizem e às vezes você tampouco é compreendido, mesmo que esteja falando devagar.

Em português tendemos a pronunciar cada sílaba de cada palavra. Isso quer dizer que qualquer palavra é marcada na fala. As sílabas têm um valor “constante”. Isso acontece com as línguas que são chamadas ‘silábicas’.

As línguas acentuais (stressed languages), como o inglês, têm um padrão de pronúncia diferente. Algumas palavras são pronunciadas com menos (ou nenhuma!) ênfase na frase. Depende da ‘música’ da língua, e da parte para a qual queremos, ou devemos, chamar a atenção. Algumas palavras podem até desaparecer!

Vamos comparar e ver como isso funciona na prática. Veja quanto tempo você leva para dizer as frases abaixo, nas duas línguas.

Dizendo as mesmas coisas, de um modo geral em inglês se toma menos tempo. Em inglês também se diz mais coisas em menos tempo. Quando há mais informação, como nas tabelas acima, onde os “recursos/resources” foram explicados com mais palavras e o “estar pronto/be ready” da pizza foi dito em outros ‘tempos’, a tendência é usar o mesmo intervalo de tempo para informar aquela parte da frase, para manter o ritmo.

Basicamente: em inglês, quanto mais se diz dentro de uma unidade da frase, mais é preciso “comprimir” essa unidade para fazer tudo que ela contém caber no tempo que o ritmo da frase disponibiliza para ela.

Essa diferença frustra a expectativa, que deve ser até insconciente pelo treinamento de anos e anos de falar e ouvir português,  de ouvir tudo por igual. Acrescentando mais informações, você simplesmente demora mais tempo e não se preocupa tanto com ritmo. Sabendo que você está lidando com outro padrão, você começa a tomar consciência dessa diferença, e começa a ouvi-la também.

Não estou mostrando isso para atingirmos uma pronúncia perfeita ou algo parecido com isso, mas sim para aumentarmos nossas chances de reconhecer que isso está sendo feito na fala dos outros. Para fins de pronúncia tendemos a apenas ouvir o que dissemos e a só dizer o que ouvimos. Para quebrar esse ciclo precisamos experimentar os sons e padrões alheios. É isso que vai nos permitir entender mais.

 Por isso é importante sempre tentar imitar o que você ouve, como exercício, para entender melhor os outros em situação de comunicação real.

As pronúncias e ‘subpronúncias’ em inglês vão longe! Veja uma tabela com apenas algumas pronúncias diferentes para as mesmas palavras.  

A representação de vogais é por aproximação apenas. Os negritos representam acentuações:

Boa sorte em sua prática!

Fonte: Inglês Urgente! Para Brasileiros nos Negócios, Cristina A. Schumacher 

Cristina A Schumacher

Author Cristina A Schumacher

I am an author and an independent linguist who thrives on a passion for the revealing relationship between words and things.

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