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Edinburgh: A ghost tour and the scariest thing ever

I was in Edinburgh with my husband last week. We had a great time. Such an atmospheric city, with amazing architecture and friendly people.

Edimburgo: passeio fantasma e a coisa mais assustadora de todas

Estive em Edimburgo com meu marido semana passada. Para quem não está muito be mem geografia: é a capital da Escócia. Foi ótimo. Uma cidade tão misteriosa e especial, com uma arquitetura surpreendente e pessoas gentis.

A church that was turned into a rock’n’roll bar/Uma igreja que virou rock bar

A castle on the top of a mountain, a palace where you can visit the chambers of Mary Queen of Scots (such a gloomy place you wonder how come she did not commit suicide before being beheaded), alleyways, passages, ubiquitous stone stairway steps made concave with centuries of foot traffic, and occasionally a Scotsman in a kilt playing bagpipes.

Um castelo no topo de uma montanha, um palácio onde se pode visitar os aposentos de Maria Rainha dos Escoceses (um lugar tão sombrio que a gente se pergunta como foi que ela não cometeu suicidio antes de ser decapitada), becos, passagens, frequentes escadarias com degraus tornados côncavos por séculos de tráfego de pedestres, e de vez em quando um escocês vestindo saiote típico tocando gaita de foles.

The Castle/O Castelo
Stairways and passages everywhere/Escadarias e passagens por todo lado
View from inside the Holyroodhouse palace grounds/Vista de dentro do patio do palácio Holyroodhouse

All this against cold – very cold for my Brazilian albeit gaucho standards – and foggy weather.

Because the city is so famous for its history of supernatural phenomena, I proposed we go on a ghost tour.

Tudo isso em um clima frio – muito frio para os meus padrões brasileiros, ainda que gauchos –  e com neblina.

Porque a cidade é tão famosa pelo seu histórico de fenômenos sobrenaturais, eu propus que fôssemos fazer um passeio – uma turnê – fantasmagorica, ou algo do tipo.

‘Err, a ghost tour, Cristina?’

‘Yes, sure, why not?’

‘Ãh, uma turnê fantasmagórica, Cristina?’

‘Sim, claro, por que não?’

He agreed. I bought the tickets online – even ghosts are accessible online these days – and on the tour we went.

Ele concordou. Comprei as entradas online – até fantasmas dá para acessar online hoje em dia – e lá fomos nós.

 At night. Of course.

À noite. Claro.

It was a lot of fun just trying to find our guide among so many others in the apparently thriving business of Edinburgh haunted tours. I approached different groups of people trying to locate our supernatural-loving fellows. It seems all tours arrange to meet near Saint Giles Church, in the centre of the old town.

I went about asking:

‘Is this the Double Dead Tour?’

No, this is the Witchery one.’

‘Is this the Double Dead Tour?’

‘Sorry, we’re Werewolves, Vampires and Ghouls’

‘Double Dead?’

‘ No, this is Free Ghost.’

‘mmm, Double… Dead?’


Eventually, I find David, our guide. Listen to what he told us before our tour began on that cold, rainy night in Edinburgh.

Já foi muito divertido tentar encontrar nosso guia por entre tantos outros no que parece ser o promissor negócio de turnês assombradas de Edimburgo. Abordei diferentes grupos de pessoas enquanto tentava achar os nossos parceiros admiradores do sobrenatural. Parece que todas as turnês são organizadas para encontrar-se próximo à Saint Giles Church, no centro da cidade velha.

Fui perguntando:

Esta aqui é a turnê dos Duplamente Mortos?

Não, esta aqui é a da Bruxaria.

Esta aqui é a turnê dos Duplamente Mortos?

Ah, não é não. A gente aqui é Lobisomens, Vampiros e Espíritos Macabros.

Duplamente Mortos?

Não. Fantasmas Grátis.

Mmm. Duplamente… Mortos?


Por fim encontro David, nosso guia. Ouça o que ele nos disse antes da nossa turnê iniciar, naquela noite fria e chuvosa em Edimburgo.

The Vaults are a series of underground chambers which, so David told us, were sought by the poor and the homeless for shelter from the countless cold nights. There’s not much air in there – at least that’s the sensation you get from being in the Vaults. It’s all moldy, humid and, of course, because it’s all underground, there are no windows. The Covenanters’ Prison turned out to be a cemetery adjacent to the official cemetery, called Greyfriars Kirkyard, where thousands have been buried since the 16th century. Apparently, bones came to the soil surface after a particularly strong rainy season some ten years ago, so you have an idea of how many bodies lay hidden in the area.

According to Jan-Andrew Henderson, author of the e-book ‘The City of the Dead,’ which we’re sent to download when we register for the tour

‘Greyfriars is literally a mountain of dead people.’

The Covenanters’ Prison, the other ‘attraction’ in our tour, ‘turned out’ be an adjacent cemetery because, following David’s account, what was initially a prison for religious and ideological opponents to the ruling king became their very burial place. No wake, no funeral.

With barely any food, they were all left imprisoned there to die. In Henderson’s account:

‘Twelve hundred survivors were imprisoned in the Covenanter’s Prison’ without proper shelter or food – making it, in effect, the world’s first concentration camp.’

So there we were, being told ghastly stories about humans long dead, victims and perpetrators.

A turnê Duplamente Mortos é “duplamente” assim porque nela vamos a dois lugares supostamente assombrados, as Galerias – ou abóbadas – Subterrâneas e a Prisão dos Pactuantes (só traduzi para esclarecer a palavra; daqui em diante seguimos com o nome em inglês, Covenanters).

As Galerias são uma série de câmaras subterrâneas as quais, assim nos relatou David, eram procuradas pelos pobres e sem teto como abrigo nas incontáveis noites frias da cidade. Não tem muito ar lá dentro – pelo menos essa é a sensação que você tem quando esta nas Galerias. Ali tem mofo, humidade e, claro, por serem subterrâneas, não têm janelas.

A Prisão dos Covenanters transformou-se em um cemitério adjacente ao cemitério oficial, chamado Greyfriars Kirkyard (“kirk” é church), onde milhares foram enterrados desde o século XVI. Aparentemente ossos subiram à superfície do solo depois de uma época de chuvas mais fortes há mais ou menos 10 anos, e assim você tem ideia de quantos corpos se encontram ocultos na área.

De acordo com Jan-Andrew Henderson, autor do livro eletrônico “The City of the Dead,” que nos é enviado para baixar quando nos increvemos para a turnê

“Greyfriars é literalmente uma montanha de pessoas mortas.”

A Prisão dos Covenanters, a outra “atração” da turnê, “tornou-se” um cemitério adjacente porque, segundo o relato do David, o que era inicialmente uma prisão para aqueles que se opuseram religiosa e ideologicamente ao rei em exercício acabou sendo seu proprio local de enterro. Sem velório, sem sepultamento.

Com praticamente nada de comida, foram deixados ali presos para morrer. No relato de Henderson:

“Um mil e duzentos sobreviventes foram aprisionados na Prisão dos Covenanters sem abrigo ou alimentação adequada, fazendo da prisão o primeiro campo de concentração.”

E assim lá estávamos nós, ouvindo histórias horripilantes sobre seres humanos mortos há muito, vítimas e algozes.

The Greyfriars’ Kirkyard gate / A entrada do cemitério Greyfriars
inside the cemetery / dentro de cemitér

But what’s really – really – scaring in Edinburgh, in Porto Alegre, in the Middle East, in New York and in the most remote end of my federal state in Brazil, and anywhere else in this world? We didn’t see any ghosts…

If you still haven’t guessed, I’ll help you: what is really spooky about this world is the fact that we can have beauty and creativity side by side with historical – and contemporary – horrors such as the events involving the Covenanters’ Prison. It is spooky that we can be great enough to have something so wonderful as the arts, sciences, philosophies, literature and love, and at the same time be limited and stupid enough to kill others because they don’t think like us, or because we don’t think like them. And I make a point of saying it the other way round because it’s not about right or wrong, it’s about (in)tolerance.

The spookiest of all is that murders that happen as a consequence of religious or ideological or political intolerance are not only the concave steps of history only, they happen as I write. They happen as you read.

Intolerance and the space many of us allow it in our hearts and minds is the real ghost.

I also visited museums and exhibitions in Edinburgh and was absolutely marveled at all the beauty and ingenuity we human beings can produce. So just to make sure you don’t think I’m too negative, let me finish my post with a video of a sculpture that I saw at the National Museum of Scotland.

I felt he was going to lift his eyes any moment, look at me and start to speak, so real, so full of a soul.

Haste Ye Back!

Mas o que é realmente – realmente – assustador em Edimburgo, em Porto Alegre, no Oriente Médio, e Nova Iorque e em Cacequi e em qualquer lugar nesse mundo? Não vimos quaisquer fantasmas…

Se você ainda não adivinhou, vou lhe ajudar: o que dá realmente medo neste mundo é o fato de que podemos ter o belo e a criatividade lado a lado com horrores históricos – e contemporâneos – como os acontecimentos que envolvem a Prisão dos Covenanters. Dá medo que possamos ser grandiosos o suficiente para ter algo tão maravilhoso como as artes, ciência, filosofias, literatura e amor, e ao mesmo tempo limitados e estúpidos o suficiente para matar outros porque não pensam como nós, ou porque nós não pensamos como eles. E faço questão de dizer ao contrário porque não se trata de certo e errado; se trata de (in)tolerância.

O mais assustador de tudo é que os assassinatos que ocorrem como consequência de intolerância religiosa, ideológica ou politica não estão apenas nos degraus gastos da história. Eles acontecem enquanto eu escrevo. Acontecem enquanto você lê.

A intolerância e o espaço que muitos de nós damos a ela em nossos corações e pensamentos é o verdadeiro fantasma.

Também visitei museus e exposições em Edimburgo e fiquei absolutamente maravilhada com toda a beleza e engenhosidade que nós seres humanos podemos produzir. Então apenas para garantir que você não me acha negativa demais, deixe-me concluir meu post com a imagem de uma escultura que vi no Museu Nacional da Escócia.

Achei que ele ia levantar os olhos a qualquer momento, olhar para mim e começar a falar, de tão real, de tãoo imbuido de uma alma.

Volte sempre!

Hugh Miller Statue, National Museum Edinburgh, Scotland

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